Quando ela chegou até mim, em agosto de 2024, fazia seis meses que eles haviam decidido ter um filho.
Naquele momento, talvez ela ainda não imaginasse quantas vezes precisaria recalcular a rota até chegar aqui.
Começamos a acompanhar seus ciclos e também seu gráfico de temperatura basal. Com o tempo, alguns sinais começaram a mostrar que talvez existisse algo que precisasse ser investigado com mais profundidade.
Insisti para que ela procurasse um médico especialista em fertilidade.
Porque parte do meu trabalho também é reconhecer até onde eu posso ir e quando precisamos de outros profissionais ao nosso lado.
A acupuntura e o cuidado integrativo podem acompanhar uma mulher durante essa caminhada, mas não substituem uma investigação médica adequada. E, às vezes, buscar o profissional certo muda os rumos de uma história.
E mudou os dela.
Com exames específicos, veio o diagnóstico de endometriose. Depois, a indicação de cirurgia. A doença era extensa, com comprometimento de intestino e bexiga.
Ela operou.
Se recuperou.
E recomeçou.
Depois da cirurgia, começamos a perceber mudanças importantes nos ciclos. Os gráficos ficaram mais organizados, a ovulação mais evidente e a fase lútea mais consistente.
Mas os meses continuaram passando.
E esperar também cansa.
Nas últimas sessões, nossas conversas começaram a ser menos sobre ciclos, ovulação ou temperatura…
e muito mais sobre cansaço, desânimo e fé.
Ela começava a falar em desistir. Em talvez parar de tentar.
Conversamos sobre uma fé que não significa ter certeza de que receberemos aquilo que pedimos, mas continuar acreditando em Deus mesmo quando não conhecemos o desfecho.
E, no nosso último atendimento, ela me contou algo muito especial:
naquele ciclo, havia sonhado mais de uma vez que estava grávida.
Ela buscava sinais de Deus justamente quando sentia que suas forças estavam acabando.
Não sabíamos o que aqueles sonhos significavam.
Mas eles chegaram em um momento em que a esperança parecia precisar de um lugar para permanecer.
Alguns dias depois, o gráfico de temperatura basal, nosso velho conhecido de tantos ciclos, também começou a levantar uma suspeita.
Poucas semanas antes, ela falava sobre desistir.
Naquele ciclo, sonhava que estava grávida.
E, sem saber, já carregava dentro de si o começo da história que esperou tanto tempo para viver.
Por mais de dois anos, acompanhei muitos ciclos dessa mulher. Vi esperança, frustração, descobertas, cirurgia, recomeços e até o cansaço de continuar tentando.
Talvez por isso alguns positivos emocionem tanto.
Porque não celebramos apenas duas linhas em um teste.
Celebramos toda a história que precisou ser atravessada até chegar a elas.
E essa, finalmente, ganhou um novo capítulo:
POSITIVO. 🤍